Na
sala de embarque do aeroporto internacional de Brasília, Marcello
Linhos folheava um livro enquanto aguardava a chamada do vôo que nos
levaria até Lisboa quando dois agentes da Polícia Federal se
aproximaram:
- O senhor é Marcelo Nunes? Queira nos acompanhar!
Querendo ou não, lá se foi Marcelo sendo levado pelos braços por todo o saguão do aerporto pelos canas.
Adrina tentou intervir:
- O que está acontecendo?
- NÃO SE META, JUJÚ!
Os caras eram mesmo durões.
- Encontramos material orgânico na sua bagagem.
Marcelo havia despachado todo o figurino e cenário do grupo e repassava
em sua mente o que poderia ser. Os chinelos de couro? Algum pão
esquecido pelo Welder no bolso do figurino de Lúcifer? Enquanto isso os
agentes proseguiram:
- Você é baiano? Gosta de farinha?
- Bem, até gosto com churrasco, quando é bem torradinha, mas aquela que já vem temperada é uma merda porque o...
- Não. Tô falando de brilho... Brilho você gosta?
- Minha irmã me ofereceu um brilho como protetor labial mas achei que
era muito feminino aquele troço com glitter... Imagine eu na europa com o
beiço colorido. Iam pensar que eu sou desses que o Ronaldo...
- Você não está entendendo... Está levando algum... pó?
- Eu pedi pra Waldirene limpar as malas com um pano húmido, será que ela
esqueceu? As malas ficaram guardadas por muito tempo e de repente algum
pó ficou grudado...
- Preste atenção: Pirlimpimpim! Poeira cósmica! Entendeu agora?
- Perfeitamente! Sítio do Pica-Pau Amarelo! Acharam uma espiga de milho! Deve ser coisa do Jovane que é goiano e...
- COCAÍNA! TEM COCAÍNA NA SUA BAGAGEM?
- Marcelo ficou transparente. Pela primeira vez sentiu falta de
verificar pessoalmente tudo que estava sob responsabilidade dele, o que
era humanamente impossível. Mas confiava na equipe.
- Não tem nada de ilegal nessa mala, eu garanto.
- Abra a mala! O que é isso aí?
- Um pano.
- Para que alguém viajaria com um pano tão grande?
- Isso é crime?
- Apenas responda!
- É cenário de uma peça de teatro.
- Podemos pingar um químico reagente neste pano?
- Podem sim, mas por favor façam nas bordas para não manchar nosso
cenário. Deu trabalho pintar esse pano. Usei uma piscina cheia de café.
- Molhem o pano todo!
Após benzerem todo nosso cenário com químicos reagentes que não reagiram
e felizente não deixaram manchas, Marcelo colocou tudo de volta na mala
e seguiu para um tranquilo vôo até Portugal. A explicação para tamanha
desconfiança: Os cães da Polícia Federal farejam cocaína. Os traficantes
marotos passaram a usar café para disfarçar o cheiro da droga e enganar
os cães. Os federais serelepes treinaram os cães para farejar café.
Nosso cenário foi todo tingido com café. Os cães latiram, uivaram e
dançaram tcha-tcha-tcha diante da nossa bagagem cafeinada. Os federais
então prenderam um cenógrafo barista.
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